MOTIVADO PELA "ONDA" BOLSONARO
Jovem se lança candidato
ao cargo de prefeito
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| Com discurso da mudança e de olho no fenômeno Bolsonaro |
Um celular na mão e várias postagens fizeram do presidente eleito Jair Messias Bolsonaro (PSL) se tornar um fenômeno político. Ele foi eleito com 57.797.847 (55,13% dos votos válidos). Em sua prestação de contas declarada teria tido 15 vezes menos gastos do que o concorrente Fernando Haddad (PT).
Acontece, que segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam "inconsistências" e, o partido deve explicações à justiça. Bolsonaro culpa o próprio TSE pelas tais inconsistências.
Bom, deixemos de lado esses pormenores, o capitão será diplomado e tomará posse em 1º de Janeiro de 2019.
O foco aqui é a candidatura precoce de Lucas Santana. O jovem estudante do Curso de Agronomia do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), estando no décimo período, tem 33 anos de idade.
Filho de pessoas humildes. O pai é um trabalhador rural e a mãe, uma artesã. Seu Domingos Ramos Santana (Ramin) e dona Lídia Silva Correia Santana tiveram outros dois filhos. Lucas se antecipa nas redes sociais e, se lança pré-candidato ao governo municipal de São João dos Patos.
Lucas Santana é filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) que no município de São João dos Patos é presidido por Flávio Barbosa (Flávio BGN).
O que chama a atenção no lançamento desta candidatura é o uso das ferramentas de redes sociais. Ao contrário do presidente eleito Bolsonaro, que primeiro discutiu os problemas da nação, fez críticas, e somente se lançou candidato após ter um retorno positivo, Lucas põe o carro na frente dos bois, e lança o seu nome na corrida dois anos antes da eleição.
Em outro ponto em que Lucas Santana não acompanha o pensamento de Jair Bolsonaro é sobre a união entre casais gays. Para Lucas não compete ao estado esse tema. Você terá a oportunidade de conferir na entrevista que fiz com ele.
Outro dia, no feed de notícias do Facebook vi na página REAIS NOTÍCIAS a citação de nomes da oposição que, de acordo com a publicação, deveriam estar unidos na batalha de 2020.
A matéria mostrava o real interesse de apresentar Celsinho como um nome para concorrer, inclusive, noutra postagem fala que Celsinho quer "ressuscitar" o "SÃO JOÃO FOLIA". Lembrava outros nomes, como o médico Alexandre Gomes, o ex-vereador Paulo do Zeca (que já concorreu e deve ser nome forte nas próximas eleições municipais) e o empresário Tangará.
O vereador Márcio do Kizoeira (PDT) chega a ser citado, como nome forte, de acordo com REAIS NOTÍCIAS, caso consiga ser eleito presidente da Câmara Municipal na eleição que ocorre no próximo dia 3 de Dezembro.
São apenas nomes ventilados. Não se pode esquecer o da própria prefeita Gilvana Evangelista que deverá concorrer à reeleição.
No caso de Lucas, ele mesmo se lança e espera que seu objetivo seja alcançado na realização de outros que pensam como ele e, abraçarão o seu sonho. Se vai dar certo, bem são outros quinhentos.
Eu conversei pelo inbox do Facebook com o futuro agrônomo. O jovem é bem intencionado, inteligente e, mostra desenvoltura no trato com as palavras.
Confira o que pensa Lucas Santana, o primeiro a dizer que é candidato ao cargo de prefeito de São João dos Patos:
[ENTREVISTA]
O que pensa o homem que quer ser prefeito de Patos?
RM: Por que você resolveu ser candidato?
LS: Porque percebi que com a minha visão crítica e com proposições simples
podemos sim ajudar nossa cidade se desenvolver. O povo precisa de mudanças,
temos que acabar os velhos modelos e práticas de campanha com muitos gastos e
se focar no que é óbvio de ser feito. Melhorar a eficiência da máquina pública
reduzindo a burocracia e modernizando, ganhando tempo e eficiência, além de
diminuir a distância do poder público, principalmente, daqueles que mais
necessitam. Vejo que hoje o poder das redes sociais é imenso e pode nos ajudar
a levar a nossa mensagem.
RM: E a sua visão crítica o faz pré-candidato?
LS: Sou pré-candidato para fortalecer a nossa democracia e acredito que
nossa cidade não pode ser comandada apenas por uma ou duas famílias e, acredito
que jovens como eu gostam de soluções rápidas. O povo deseja o poder público melhor. Eu nunca vi São João dos Patos como uma pequena cidade. Com os
recursos próprios e parcerias público-privadas é possível fazer muito mais. Não
tem segredo é só aplicar os recursos de uma maneira impessoal, respeitando a
nossa constituição.
RM: O que Flávio Barbosa, o "Flávio BGN", que dirige o seu partido em Patos diz sobre sua candidatura?
LS: Não disse nada. Sou apenas pré-candidato, independente de partido. Me lancei para me colocar como um candidato novo e sem padrinhos políticos.
RM: Mas precisa passar na convenção...
LS: Sim,
mas ainda não foi formalizado, temos que aguardar os prazos. Para
se lançar pré-candidato é a inspiração, para formalizar é a convenção.
RM: Você diz que
quer ser o "novo". Acha que conseguirá apoio?
LS: Com certeza, Rodrigo, esse "novo" aí independente de condição financeira ou ideologias partidárias. Temos que mudar. Primeiro, sendo transparente com o gasto na campanha e se possível o menor custo possível. Temos o poder das redes sociais e em relação aos apoios temos o melhor: ficha limpa e sem rabo preso com ninguém. No primeiro passo é se lançar como pré-candidato e correr em busca de apoio daqueles que acreditam que São João dos Patos pode ser melhor para todos viverem.
RM: Como você acredita que pode contribuir para o município?
LS: Eu acredito que posso contribuir sendo um verdadeiro representante do povo. Sempre lutei por justiça social, corri para fora em busca de conhecimento, escola pública, uso os serviços públicos e acho que chegou a hora de colocar pessoas que batalham e correm atrás dos objetivos na frente da nossa administração.
RM: E como você avalia o governo Gilvana?
LS: Cada governo que passa por nossa cidade deixa marcas positivas e negativas, isso depende muito do ponto de vista. Tenho uma relação de amizade, mas em relação a gestão da Gilvana, vejo que está engessada e saturada. Há um grande desgaste em relação a disputa de poder entre a oposição e a situação, o que muitas vezes atrapalha até mesmo o desenvolvimento de São João dos Patos. Venho com a intenção de unir o legislativo e o poder executivo. Sem esse diálogo aberto é impossível fazer um bom trabalho. Eu acho que chegou a hora de uma cara nova na gestão porque - talvez - Gilvana perdeu a capacidade de dialogar. Mas não basta ter boas ideias é preciso aproximar e ter uma boa relação em prol do nosso município. Acho que os interesses privados devem ser deixados de lado, com o propósito de trabalhar pelo coletivo, principalmente as ações prioritárias de nosso município.
RM: Daria para citar o que existe de positivo e de negativo na administração de Gilvana Evangelista?
LS: São João dos Patos tem uma boa estrutura como município polo do Sertão Maranhense. Boa parte do legado de Gilvana é em relação aos feitios do seu marido em gestões passadas que conta com a experiência de Zé Mário no comando. Como ponto positivo vejo que isso é bom por hora, mas por outro lado estamos em momentos de crise e a gestão precisa inovar e ser criativa com os recursos que a prefeitura tem. Não existe mágica, mas o governo Gilvana precisa ter a cara de Gilvana, acho que ela tem que tomar a frente do negócio e ter um diálogo mais próximo com o povo.
RM: Acredita que há uma saturação política do casal Gilvana/Zé Mário?
LS: A saturação e o desgaste político pelo grupo do Zé Mário que há muito tempo no poder, basicamente 14 anos, isso gera uma inquietação nas pessoas que muitas vezes procuram o "novo" e eu sou uma terceira via. Não para estar se aproveitando do erro ou dificuldade dos outros, mas seria mesmo na intenção de ajudar minha cidade a se desenvolver e crescer. Acho que ataques e ofensas devem se deixar de lado e pensar mais nas proposições, ideias e soluções mais urgentes que nosso município precisa.
RM: Como você ver a vitória de Bolsonaro, candidato que teve o seu apoio?
LS: A vitória de Bolsonaro eu vejo como uma mudança e com bons olhos, mas ao mesmo tempo com cautela, nem tudo que ele propõe pode ser bom para todos, mas no geral acredito que ele começa a ascender uma mudança pela saturação do governo PT que foi mais fragilizado na crise de 2008 até os dias atuais. É torcer para que ele realmente faça o que é óbvio, pois esse país ficou praticamente de cabeça para baixo. Acho que ele (Bolsanaro) ganhou porque o PT não renovou o diálogo e deixou o país perder a governabilidade do governo Dilma (Rousseff) que não conseguia ter sintonia com o Congresso Nacional. Mas realmente, o próprio congresso precisava ser renovado, afinal lá tem muitas raposas que vivem de vida fácil sem mudar a realidade do país e, sim o interesse privado.
RM: Uma polêmica de Jair Bolsonaro é a causa LGBT. Você concorda com união gay?
LS: Eu acho que o estado não tem o poder de interferir nas relações das pessoas e, isso deve ser resguardado por lei, destinar a união para quem queira seja ela qual for. O estado é laico, e infelizmente, temos uma bancada religiosa. Eu não acredito que seja religiosa porque lugar de religiosos é na igreja e não na política. Em relação a união, as pessoas que se amam independente do sexo, cor ou ideologia devem se sentir livres de se unir com quem quiser. Ninguém é obrigado a concordar, quem deve concordar é que deseja fazer tal união.
RM: Quando você diz: "Lugar de religiosos é na igreja e não na politica"... para quem prega o "novo" não seria uma forma ultrapassada de tratar a coisa pública?
LS: Não. Na minha visão as ideologias e religiões devem ser
respeitadas qualquer manifestação de fé. Somos um estado laico, e impor
doutrinas religiosas no Congresso é uma ameaça a nossa democracia e até a
diversidade religiosa que temos em nosso país. E, eu na condição de um
cristão jamais aceitaria um padre deixar de lado o projeto de Deus, pois isso
desvirtua a sua missão por exemplo que é pregar a palavra de Deus. E um pastor
deve seguir sua missão de falar de Deus. Sem contar que acho que quando colocam
Pe. Francisco, Pastor Ciclano, não acho nem que irão fazer algo pelo país.
Vejam por exemplo o Eduardo Cunha, jamais imagino ele como um representante dos
evangélicos e sim uma raposa do dinheiro público. As igrejas hoje usam e
se aproveitam do mercantilismo da fé, e com isso aproveitam para usar o nome de
Deus para fazer falcatruas na política, o mesmo ocorre em algumas congregações.
Isso não vem ao caso, mas é contra a minha ideologia esse tipo de prática.
RM: Esse mercantilismo da fé foi usada por Bolsonaro que teve apoio de várias igrejas de todos os lados. Edir Macedo (Igreja Universal) e Pastor Malafaia (Assembleia de Deus), além da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Igreja Católica, apoiaram o seu candidato. Enfim, é só um comentário, eu acredito que a vida pessoal é de cada um...
LS: Cada um procura ser feliz. E impedir esse tipo de união é impedir as liberdades. O nosso país já foi privado por muito tempo, com certeza deve ser respeitado. Preconceito ficou para pessoas pequenas e vejo sem espaço na política ou em qualquer meio pessoas que os tenham são rudes ou desprovidas do conceitos das coisas.
RM: Eu entendo. Então, você não concorda com muitas falas de Bolsonaro sobre o tema...
LS: Eu já penso diferente em relação ao adotado pelo Bolsonaro. Mas muitas ideias dele vejo como urgentemente necessárias. Concordo com cerca de 70% das ideias dele, mas tudo seria impossível.
Dizer amém para tudo não é meu forte.
RM: Por isso se lançou pré-candidato?
LS: Eu me lancei pré-candidato, pois vejo que tenho muito a contribuir com nossa cidade, nosso estado e nosso país. É preciso ter uma visão holística e uma visão de águia para buscar soluções dos problemas. Problemas - todas as gestões têm - e eu como "novo" estou disponível para a sociedade patoense. Quero ajudar a solucionar esses enigmas.
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| Lucas Santana apoiou Bolsonaro, mas diz que não concorda com tudo do presidente eleito. Em 27 de junho de 2015 ele pôs no filtro de sua foto no perfil do Facebook o apoio à união de gays. |